Estratégia

Delivery próprio ou iFood: o que compensa em 2026

Comparação honesta entre delivery próprio e iFood em 2026: comissões do Plano Básico e do Plano Entrega, custo do motoboy, rastreio e quando o modelo híbrido faz sentido.

Por Equipe Onde Tá·7 min de leitura

Publicado em · Atualizado em

Delivery próprio compensa quando você tem volume estável, raio de entrega curto e alguém para cuidar do motoboy. O iFood compensa quando você não quer montar operação de entrega e aceita pagar mais comissão por isso. Em 2026, a diferença entre o Plano Básico (12% de comissão, entrega sua) e o Plano Entrega (23%, entrega do iFood), segundo a página oficial de planos, consultada em setembro de 2026, é o número que decide a conta.

Para a maioria dos restaurantes pequenos, a resposta não é "um ou outro". É usar o iFood como vitrine e fazer a entrega com motoboy próprio, ou ir montando um canal direto pelo WhatsApp e mantendo o aplicativo como complemento. Este texto mostra como fazer essa conta com os números públicos de hoje.

Um aviso antes de começar: o Onde Tá, que é o nosso produto, não substitui o iFood nem é sistema de pedidos. Ele entra só na hora de entregar, para o cliente ver o motoboy no mapa sem baixar aplicativo. Então o que você vai ler aqui é uma comparação de modelos de operação, não uma venda disfarçada.

Quanto o iFood cobra em cada plano em 2026?

Os números abaixo são da página de planos e do blog do iFood para parceiros, consultados em setembro de 2026. Na taxa de pagamento online, a página oficial mostra valores diferentes em seções distintas: 3,2% nos quadros dos planos e 3,5% nas perguntas frequentes. Vale conferir no contrato. Se você estiver lendo isso mais tarde, confira lá antes de decidir.

PlanoComissão sobre o pedidoTaxa de pagamento onlineMensalidadeQuem entrega
Básico12%3,2% ou 3,5%, conforme a seção da página oficialR$ 110 por mêsO restaurante
Entrega23%3,2% ou 3,5%, conforme a seção da página oficialR$ 150 por mêsRede de entregadores do iFood
Entrega Flex12% na sua área, 23% na área coberta pelo iFood3,2%, segundo o blog oficialR$ 150 por mêsHíbrido

A mensalidade é isenta para quem fatura até R$ 1.800 no mês, e o primeiro mês é grátis no cadastro. A taxa de pagamento online só incide sobre pedidos pagos dentro do aplicativo.

O ponto que interessa: entre o Básico e o Entrega há 11 pontos percentuais de diferença. Num pedido de R$ 60, isso dá R$ 6,60. É esse valor, multiplicado pelos seus pedidos, que você tem para pagar um motoboy próprio. Se a sua entrega custa menos que isso por pedido, o delivery próprio já sai na frente em dinheiro. Se custa mais, você está pagando para ter controle, e precisa decidir se o controle vale.

Tem um detalhe que muita gente esquece: na página oficial de planos do iFood, o “rastreio de entrega em tempo real” aparece entre os itens do Plano Entrega, e não do Básico. A central de ajuda do iFood confirma: se a entrega for feita pela loja, o cliente não tem a opção de acompanhar no mapa. Quando você migra para o Básico, o rastreio você resolve com uma ferramenta à parte, e é aí que o Onde Tá entra por R$ 37 ou R$ 47 por mês.

O que custa de verdade no delivery próprio?

O próprio blog do iFood resume bem a diferença: a entrega própria tem custo fixo, que existe mesmo em dia fraco, e a entrega pelo iFood tem custo variável, que só aparece quando o pedido acontece. Isso é o coração da decisão.

No delivery próprio, os custos que você precisa colocar na conta são:

  • Pagamento do motoboy. Por entrega, por diária, salário fixo ou uma mistura. Tem um post só sobre isso em quanto pagar por entrega ao motoboy.
  • Encargos, se for CLT. Férias, 13º, FGTS e afins. Se for autônomo, o custo é o combinado, mas a relação precisa ser de fato autônoma. Isso é assunto para contador ou advogado, não para blog.
  • Bag, capa de chuva, suporte de celular. Pequeno, mas existe.
  • Gestão. Alguém precisa despachar, cobrar retorno, resolver o pedido errado. Em restaurante pequeno, é o dono ou o caixa.
  • Ferramenta de rastreio. Opcional, mas sem ela o "onde tá meu pedido?" cai no seu telefone.

No modelo iFood, esses custos somem e viram a comissão maior. Você paga pela conveniência de não pensar nisso, e também abre mão do relacionamento direto: o cliente é do iFood, o cadastro é do iFood, a avaliação é do iFood.

Para chegar no seu número, use a calculadora de taxa do iFood contra delivery próprio. Ela pede ticket médio, pedidos por dia e o que você paga por entrega, e devolve quanto sobra em cada modelo.

Quando o iFood compensa mais?

Existem situações em que insistir no delivery próprio é teimosia. As principais:

Volume pequeno ou muito irregular. Se você faz 8 pedidos numa terça e 40 num sábado, manter motoboy fixo na terça é prejuízo. A rede do iFood escala sozinha no pico e some no vazio.

Raio de entrega grande. Motoboy próprio rende em raio curto. Se você atende bairros a 8, 10 quilômetros, cada entrega demora, o motoboy faz menos corridas por hora e o custo por entrega sobe. O Plano Entrega Flex existe justamente para isso: você entrega perto, o iFood entrega longe.

Ninguém para gerir. Se o dono cozinha, atende e ainda precisa despachar, a operação de entrega vira o gargalo. Terceirizar tem preço, mas às vezes o preço é menor que o do caos.

Começo de operação. Nos primeiros meses, o iFood traz cliente novo que você não teria. Depois que a base existe, faz sentido puxar parte dela para um canal direto.

O que não muda em nenhum caso: no iFood o cliente é do aplicativo. Isso pesa menos no começo e mais depois de dois anos, quando você percebe que não tem o telefone de ninguém.

Quando o delivery próprio compensa mais?

Segundo a pesquisa da Abrasel divulgada em março de 2025, com 2.176 donos de estabelecimento, 39% dos bares e restaurantes com delivery já operam com entregadores próprios. Não é nicho. E o WhatsApp já responde por 26% do faturamento com delivery, contra 54% dos marketplaces. Ou seja: um em cada quatro reais de delivery já chega sem comissão.

O delivery próprio ganha quando:

  • O volume é estável. Todo dia tem pedido suficiente para ocupar o motoboy.
  • O raio é curto. Até uns 5 quilômetros, o motoboy faz várias entregas por hora.
  • Você quer o cliente. Nome, telefone, histórico. Isso vira cupom, promoção, cliente que volta.
  • A margem é apertada. Pizzaria, marmitaria e açaiteria vivem de margem. 23% de comissão sobre o valor do pedido dói.

O que você perde ao sair do Plano Entrega é o rastreio. O cliente se acostumou a ver a motinha andando no mapa. Quando o pedido chega pelo WhatsApp ou pelo Plano Básico, ele não vê nada e liga. É para isso que serve o código de 4 caracteres: você manda o código na mensagem de "saiu para entrega", o cliente abre e vê o motoboy ao vivo, sem baixar aplicativo. Custa R$ 37 ou R$ 47 por mês, sem taxa por entrega e sem cobrança por entregador.

Como montar um modelo híbrido sem se enrolar?

O próprio iFood, no blog dele, sugere o híbrido como equilíbrio: frota própria para o volume base, aplicativo para o excedente e os picos. Na prática, funciona assim:

  1. Plano Básico ou Flex no iFood. O pedido chega pelo aplicativo, você entrega com o seu motoboy nas áreas próximas.
  2. Canal direto no WhatsApp. Cardápio digital ou atendimento por mensagem, sem comissão. Você decide a taxa de entrega.
  3. Um só fluxo de despacho. Não importa de onde o pedido veio, ele passa pelo mesmo balcão e pelo mesmo motoboy. O painel do gestor do Onde Tá mostra todas as entregas ativas num lugar só.
  4. Rastreio para os dois canais. O código de 4 caracteres funciona igual para o pedido do iFood Básico e para o pedido do WhatsApp.
  5. Regra clara de quando acionar o iFood Entrega. Por exemplo: pedido acima de tantos quilômetros ou quando todos os motoboys estão na rua.

Comece pequeno. Um motoboy por diária no horário de pico, três dias por semana, já mostra se a conta fecha no seu bairro. Se fechar, aumenta. Se não fechar, você descobriu com pouco dinheiro. O post sobre como montar delivery próprio detalha os passos.

O que ninguém conta sobre sair do iFood

Três coisas que aparecem só depois:

O telefone toca mais. Sem rastreio, "onde tá meu pedido?" vira a ligação mais comum do restaurante. Tem post sobre como reduzir as ligações de onde está meu pedido.

Motoboy some. Autônomo tem outros clientes. Chuva, feriado, jogo do Brasil: o dia em que você mais precisa é o dia em que ele tem outra proposta. Combine antes, pague em dia e tenha um segundo nome no celular.

A avaliação muda de lugar. No iFood o cliente avalia lá. No direto, ele reclama no seu WhatsApp ou no Google. É pior e é melhor: pior porque é público, melhor porque você pode responder e resolver. O cupom da próxima vez usa isso a seu favor: avaliação pós-entrega e cupom automático para o cliente voltar.

Decidir entre delivery próprio e iFood não é decisão de uma vez. É uma conta que você refaz a cada mudança de taxa, a cada motoboy que entra ou sai, a cada bairro novo. Faça a conta hoje com a calculadora, anote o resultado e refaça em seis meses.

Perguntas frequentes

O que é mais barato: delivery próprio ou iFood?

Depende do volume e do ticket médio. Segundo a página de planos do iFood, consultada em setembro de 2026, no Plano Entrega o iFood cobra 23% de comissão sobre o pedido; no Plano Básico cobra 12% e a entrega fica com você. Acima de um certo número de pedidos por dia, pagar o motoboy costuma sair mais barato do que os 11 pontos de diferença entre os planos, mas você assume a operação.

Posso usar o iFood e ter delivery próprio ao mesmo tempo?

Sim. O Plano Básico do iFood é justamente isso: o pedido chega pelo aplicativo e a entrega é feita pela sua equipe. Também existe o Plano Entrega Flex, em que você entrega perto e o iFood entrega longe.

Se eu sair do Plano Entrega, o cliente para de ver o motoboy no mapa?

Sim. O rastreio em tempo real do iFood é da rede de entregadores dele. Com frota própria você precisa de uma ferramenta separada, como o Onde Tá, que gera um código de 4 caracteres para o cliente acompanhar sem baixar aplicativo.

Quantos pedidos por dia preciso ter para o delivery próprio compensar?

Não existe número universal. Faça a conta com o seu ticket médio, a sua taxa de entrega e o que você paga ao motoboy. A calculadora de taxa do iFood contra delivery próprio do site ajuda a chegar no seu número.

Vale a pena vender pelo WhatsApp em vez do iFood?

O WhatsApp não cobra comissão, mas exige atendimento, cobrança e organização por sua conta. Na pesquisa da Abrasel de 2025, o WhatsApp já respondia por 26% do faturamento com delivery em bares e restaurantes.

Fontes